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É madrugada...
O silêncio da noite desperta-me trazendo em meu peito tua
doce lembrança. Olho para o céu, a lua está alta, mais alta ainda as estrela e
além delas, minha saudade.
Tantas são as perguntas que me faço, cuja resposta não
satisfaz a dor que carrego comigo. Passaram-se quase quatro anos meu querido e a
saudade não diminui, só aumenta e com ela o pranto a emudecer o canto.
Por que partistes deixando-me com a dor de sua ausência?
Por que partistes deixando dilacerada em meu peito a
ferida que sangra e não cicatriza?
Partistes de forma calma, silenciosa, sem fazer alardes,
sem nada a mencionar a não ser um sorriso nos lábios.
Não imaginas o quanto me faz falta tua presença, o quanto
é doloroso saber que estás tão perto e ao mesmo tempo tão distante e, relembrar
teu jeito moleque a chamar-me de moleca.
Por que partistes? Que pressa foi essa de ir embora? Logo
eu, que ainda te amo tanto, e em sonhos vejo-te retornando ao lar.
Ah, meu querido irmão...olho para o céu e perco-me em
perguntas.
Será você mais um ponto de luz a enfeitar essa noite? Será
que Deus estaria precisando urgente de um anjo adulto e levou-o para bem perto
de si?
Crio que sim e essa mesma certeza leva-me a crer que
retornarás nos braços de uma estrela cadente e esta mesma estrela te plantará no
canteiro que deixaste por terminar e nele, florescerá juntamente com a primavera
exalando aos ares, toda sua bondade, carinho, companheirismo que semeastes antes
de partir.
Se puderes ouvir-me agora meu querido irmão, saiba que te
amo muito e enquanto não houver o encontro final, ficarei a buscar-te no céu em
meio a tantas outras estrelas, no infinito desejo de te encontrar.
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