Essa é a história de Poc e Popoc, que há pouco tempo, moravam em uma sapateira.

Sapateira???

Isso mesmo.

Sa- pa- tei- ra.

Poc e Popoc era um parzinho de sapatos muito, muito bonito, que durante muito tempo foram felizes. Freqüentaram grandes bailes, teatros, museus, recepções e tantos outros lugares importantes e, é lógico, nos pés de Magali, sua dona.

Magali os adorava, pois eram macios, confortáveis, bonitos e charmosos. Em todos os lugares eles iam satisfeitos e sentiam-se muito importantes.

Só que o tempo foi passando, a moda evoluindo e, novos modelos de sapatos chegando às lojas da cidadezinha onde moravam. Para tristeza de Poc e Popoc, chegou um tal sapato, com um nome metido à besta. Veio de muito longe, lá da França. Seu nome é um pouco esquisito, sua pronúncia é escarpan.

Eles vieram de avião e, se percebe que são da alta moda e, certamente Magali se apaixonou por eles. Ao vê-lo na vitrine não teve como resistir e os levou para casa.

Ao chegar em casa Magali os tira da caixa e os coloca na mesma sapateira onde ficavam os sapatinhos mais charmosos, que logo se entristeceram, pois sabiam que seriam trocados para sempre.

― Popoc, será que nossa dona não gosta mais da gente? Poc perguntou um tanto desanimado.

― Claro que não seu bobo! Você não vê que ela sai sempre com a gente, mais do que com os outros, respondeu.

― Mas você já viu o outro sapato que ela trouxe para morar aqui em casa?

― Vi sim e vejo que você está cheio de ciúmes. Agora pare de ficar pensando nessas coisas bobas.

A verdade é que Popoc estava também morrendo de ciúmes e medo de ficar esquecido por Magali numa sapateira. Afinal, seria horrível para eles passarem o resto de suas vidas em casa, já que haviam feito tantas amizades, inclusive com um mocassim, que ultimamente andava se queixando dos cansaços de suas andanças e, que estava pensando seriamente se aposentar..

Esse não era o caso de Poc e Popoc. Eles sentiriam saudades da vida  cheia de aventura e atropelos da qual estavam acostumados.

Certo dia, Magali foi homenageada no grupo escolar, onde lecionava e, entre uma conversa e outra, ela comenta sobre os planos em ajudar o orfanato e estava aceitando doações de amigos , que poderia ser feita com roupas, sapatos, agasalhos, sapatos e tantas outras coisas que um orfanato precisa.

― Sapatos? Doações?

Poc e Popoc ficaram pálidos, espantados e tremiam em ouvir tais palavras. Estariam eles adivinhando seu fim?

Ao chegar em casa, Magali os tira dos pés e os deixa no ladao de fora e, isso jamais acontecera, ela nunca os tratara dessa forma e o sapatinho mais dengoso começou a chorar.

― Sniff...sniff..., eu não quero ficar aqui fora. Aqui faz frio e não posso me resfriar, sniff... sniff...

― Pare de chorar Poc, ela vai pegar a gente, espere um pouco. Disse tentando conformar e acalmar o irmão, que estava muito triste, mas, tudo isso foi em vão.

Magali não percebia o desprezo que estava dando a eles, que sempre estiveram colaborando com sua elegância e deixando-a mais charmosa. Coitados! Acabaram dormindo ali mesmo, no sereno e frio.

Enfim, amanheceu.

Que surpresa terrível tiveram.Magali aparece diante deles com uma sacola nas mãos e os coloca lá dentro junto a tantas roupas que iria doar.

Ao sair, Magali percebe que esqueceu algo e retorna à casa, deixando a sacola no chão e, essa era a única oportunidade deles escaparem de ir para outra casa e ter que conviver com pessoas estranhas.

― Popoc, vamos ser jogados fora, como o chinelinho de cordas, você se lembra?

― Lembro-me sim, Poc e agora tenho que concordar com você. Vamos ser jogados fora!

E mais uma vez a choradeira foi geral.

Sniff...sniff...sniff...sniff...

― Popoc, e se nós saíssemos daqui?

― Sair pra onde? Nós só sabemos sair com nossa dona, nunca saímos sozinhos, disse.

― Ora Popoc, talvez pudéssemos nos esconder embaixo do armário e lá ninguém nos encontraria.

Antes mesmo de ouvir uma resposta de seu irmão, Poc sai da sacola e, se esconde embaixo do armário, deixando Popoc preso entre as roupas, não tendo tempo de sair, pois Magali retorna, pega a sacola e a coloca no carro.

Coitado... ele sequer imaginava para onde estava indo, mas eu sei e vou lhes contar.

Ele foi parar em um orfanato.

― Vocês não sabem o que é um orfanato? Então eu conto:

Orfanato é um lugar com uma casa muito grande onde moram vários irmãozinhos, que não tem papai nem mamãe para cuidar deles. Ali todos são bem tratados e tem alguém cuidando de todos, como uma grande família.

Bem, Magali chega ao orfanato e procura a senhora Vânia, que é a responsável do lugar e, após conversarem, Magali a entrega a sacola com as doações, que havia lhe prometido e, sequer tem tempo de visitar as crianças, pois se o fizesse, chegaria atrasada no colégio.

Vânia começa a separar as doações e de repente...

― Nossa, que sapatinho mais lindo! Exclamou.

Olha então para um lado, para o outro e coloca o sapatinho no pé. Mas que pena, ele não entra, ele era tão mimoso, tão delicado que só cabia no pé de Magali.

Vânia então o deixa de lado e, percebe que só veio um pé do sapato e, como se sabe, um pé de sapato não tem serventia, portanto sua próxima moradia seria certamente o lixo, e foi exatamente isso que aconteceu.Vânia o joga na lata de lixo.

― Ai, cuidado, reclama. Afinal era a primeira vez que estava numa lata de lixo, jamais pensara ser esse o seu fim, isso sem falar na saudade que estava sentindo se seu irmão Popoc, que ficou escondido embaixo do armário.

Passaram-se alguns dias e, a empregada de Magali, ao varrer a casa, encontra um sapatinho solitário e cheio de poeira, que não servia mais para nada e, a ele também restou a lata de lixo.

Ninguém poderia calcular o seu valor. Eles brilharam nos salões de festas, eram campeões em dança e sabiam todas e sofriam muito ao lembrar o que foram e o que eram agora.

De repente Popoc é jogado em um lugar sujo e que girava o tempo todo. Latas, bacias, papéis, todos gritavam sem parar, pois eram amassados dentro da caçamba.

Ao chegar no depósito, outro caminhão descarrega seu lixo e, nele estava poc. Isso mesmo. Poc foi para o mesmo local onde Popoc foi levado.

― Calma aí amigão, falou uma botina velha, dizendo ser a primeira a descer, pois ela ainda era uma dama. Poc nada falou, a botina era mal encarada e ele não queria confusão e, isso, porque iria morar ali o resto de sua vida.

Ao anoitecer, o silêncio do lixão é quebrado por um chorinho bem familiar.

― Sniff...sniff...sniff...era o chorinho mais dengoso, com medo da escuridão assombrosa do depósito.

Popoc reconheceu aquele chorinho e sai a procura de seu irmão, que logo é encontrado.

― Popoc, é você meu irmão? Perguntou.

― Claro que sim, ainda tem dúvida?

― Que bom te encontrar, quase não te conheci, está tão diferente, pálido...

Poc e Popoc se abraçaram tanto, mais tanto e de mãos dadas começaram a caminhar entre os outros companheiros , relembrando os momentos felizes de suas vidas.

― Você se lembra Poc, daquela noite no cinema?

― Claro que sim, como poderia esquecer, você sequer prestou atenção ao filme, paquerou a sandalinha o tempo todo e, ela nem te deu bola.

― E aquele Chanel azul que esnobava todos na festa, achando que era o melhor de todos, lembra?

― Como me esqueceria dele. Ele andava tão devagar que chamava a atenção, na verdade ele se arrastava  para ninguém perceber o buraco que havia embaixo dele.

O riso de Poc e Popoc acabou acordando todos do lixão e eles deram belas risadas lembrando das coisas boas, que lhes aconteceu e entraram na madrugada se divertindo muito e falando aos seus novos companheiros tudo sobre suas andanças, que até esqueceram que estavam em um depósito de lixo.


 

 

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