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É noite alta e o silêncio lá fora se
torna ensurdecedor, à medida que meu pensamento voa de encontro ao teu...
É madrugada sim
e, invadistes minha noite, na calada, quebrando por momentos, a paz de meu
silêncio...
Porém não
resisti, pois...
Tua imagem me abomina,
enquanto tua presença estremece e desordena meu pensar...
Eu não queria te
desejar, mas o meu desejo insiste que eu te deseje, que te recrie em minhas
fantasias, nessa viagem mágica onde sonho você.
Posso agora
querido, sentir a maciez de suas mãos quentes, traçando em meu corpo,
caminhos, cujos lábios sedentos, percorrerá a procura de um oásis onde saciar
a sede e, de olhos ainda cerrados, ofereço-te os lábios, que voraz, anseia por
teus beijos, provocante ao meu prazer...
Desarma-me
querido, mesmo que seja em sonho, desarma-me , para que o temor se liberte
através de meus poros, no instante em que nossos corpos banham-se em suor...
Invada minhas
entranhas, dê vida aos meus anseios, aperte minha nuca, acaricia com os lábios
os meus seios. Faça-me uma caça indefesa, enlaça-me o braço à minha cintura,
aperta-me em teu peito, enquanto minhas coxas cruzam-te as costas num momento
de loucura e explosão, para que possamos seguir nossa viagem nas asas da noite
escura, (in) pura.
Eu te sonhei
querido, a sufocar-me de amor, no meio da noite, que desejei não ter fim...
Eu te sonhei e
como louca, te fiz função única de minha vida, uma vez que lá fora, através da
janela a realidade vem fala-me de saudades e de um longo tempo a sua espera...
É madrugada,
querido...
Ainda assim posso
sonhar.
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