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Atrás de
máscaras invisíveis nos ocultamos e assim passamos a ser alvo da ingratidão, do
amor sem liberdade, da vida restrita a uma saudade covarde...
Saudades, pois
ousei voar com você e até pensei que pudéssemos ser beija-flor e flor, manhã e
sol, areia e mar...
Quantos
pensamentos vãos, pois a cada segundo nossas vidas sofrem mutações e, nos
transformamos em meros insetos, incapazes de voar...
Pensei, juro
como pensei e desejei colocá-lo dentro de mim, na tentativa de livrá-lo desse
mundo, que sem mostrar suas garras nos devora sem piedade ou compaixão, apenas
nos devora...
Ah meu amor!
Como sonhei ser sua areia e por ti ser tocada, beijada incansavelmente, em seu
marulhar de amor, a tocar minha pele, numa doce carícia...
Procurei percorrer todo o longo
caminho, não ao teu encontro, mas ao teu lado, te acompanhar, te viver sem medo,
te amar as claras, não às escondidas como se o amor fosse algo terrível e
vergonhoso e, no entanto eu só queria a certeza de que, ao cair da noite,
milhões de vidas teriam passado por nós e nós continuaríamos os mesmos, sem
disfarces, sem covardia, sem omissões, sem máscaras...
Mas, nem tudo
na vida é flor e beija-flor, bem sei que as roupas que cobrem os corpos não são
as mesmas que protegem a alma e, nossa alma sente frio, pois estão despidas de
nós, de sentimentos, de verdades transparentes, que deveriam flutuar, ao nosso
redor como véus num leve desbotar de matizes...
Chegamos ao fim
meu amado, ao fim de um longo caminho percorrido em vão, ao fim de tudo aquilo
que sonhamos e não realizamos, ao fim de algo que não vivemos, não
concretizamos, não sentimos e não temos.
Chegamos ao fim
de uma ilusão alicerçada sobre nossas mentiras, que nos serviu como bengala em
nosso caminhar e, com as quais nos maquiamos...
O amor não se
oculta e nós o aprisionamos em nossa covardia, mesquinhez, fraqueza e
intolerância...
Sinto muito meu
amado, por sentimentos que não são meus, por instintos, que nunca foram nossos e
por uma vibração, que não foi além da pele...
Arranquemos
agora nossas máscaras, fitemo-nos ao espelho e encaremos com dignidade aquela
pequena partícula do “Eu” que bem poderia ter sido... Nós!
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