Poderia ter escalado morros,
montanhas, colocando-me acima de meus medos e inseguranças.
Poderia ter caminhado de olhos
fechados, na certeza do andar firme e seguro.
Poderia ter desbravado horizontes,
adentrado mundos, que se abriam diante de mim, no entanto hesitei!
Covardemente não arrisquei dar um só
passo e, com isso continuei me arrastando.
Poderia de batido minhas asas, pelo
menos ter tentado voar, mas fiquei em cima do muro, sem saber dele descer.
Tive a oportunidade de percorrer
longas distâncias, de caminhar sem olhar as marcas deixadas no caminho, porém
temi os futuros calos, que poderiam surgir nessa longa caminhada.
Eu pensei e, passei toda uma vida
pensando... pensando... pensando...
Pensando em fazer, pensando ser,
sonhando em realizar, mas sem coragens de arriscar, de mudar toda uma história,
de virar a página e ler o próximo capítulo.
Foi assim, dessa forma que me tornei
essa coisa chamada “dona de casa anônima”.
Dona de casa anônima, esquecida em seu
anonimato, em um mundo, sem tamanha importância.
Transformei-me naquela que passa a
vida vivendo, em função de outros, como se essa fosse a única missão em minha
vida.
Que tragédia!!!
Eu morria a cada dia e nem percebia.
Morria de uma doença sem diagnóstico,
conhecida por covardia e, que só atinge aqueles, que não possuem anticorpos para
tal infestação e, infectados só lhes restam um caminho: Se enterrar junto à
liberdade tão sonhada e não vivida.
Eu não quero enterrar a mim mesma, não
tenho esse direito, mas tenho o dever de ainda hoje, antes do cair da tarde,
fechar-me tal qual loja comercial, para um balanço, para uma avaliação onde
possa reparar os lucros, prejuízos e o que restou, em meu estoque, para que
amanhã, ao amanhecer possa erguer minhas portas e, expor minhas prateleiras, com
novas mercadorias e marcas diversas de coragem, perseverança, decisão, atitude,
determinação, respeito, amor próprio, dignidade e a liberdade, que sem mais a
enterrei, mas não consegui matá-la.
Hoje, estarei fechando minhas portas
para balanço...
